segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Identidade cultural carioca: a caminho da auto-aceitação


Identidade cultural carioca: a caminho da auto-aceitação
Posted on 22 août 2011 par Meu Rio

Corpos arqueados, suor, saias diminutas e sorrisos de moleques felizes. A fotógrafa Daniela Dacorso capturou esses e outros instantes nos bailes funk do Rio de Janeiro ao longo dos últimos dez anos. À espera da coragem que me levará numa dessas festas, fui me perder na Tijuca para ver a exposição dela.

Eu confesso: acho que nunca terei vontade de ir rebolar na favela. Medo das armas e de não dominar a dança da bundinha. Apesar de não me identificar com essa cultura, ela atrai o meu interesse, pois faz parte da identidade cultural carioca.

Semana passada, recebi através do Twitter um texto do artista plástico Antônio Veronese, criticando o apoio financeiro que a Secretaria Estadual de Cultura do Rio reservou para projetos de criação artística associados ao funk: R$ 500 mil para 25 projetos para 2011 e 2012.

O senhor Veronese não gostou da idéia:

Senhora secretária de cultura do Estado do Rio de Janeiro: o funk, como os pombos, é capaz de sustentar-se sozinho, o que já é um problema!
O funk não é, nunca foi e jamais será identitário do Rio de Janeiro! (…) Essa salada-de-frutas cultural que a senhora propõe é ignorância disfarçada de liberalismo, ou simplesmente jabaculê eleitoreiro – do qual o governador, diga – se de passagem, não precisa. Numa cidade em que 80% dos meninos de 15 anos já não mais sabe quem foi Antonio Carlos Jobim, nem Carlos Drummond de Andrade, dar dinheiro ao funk, se não é criminoso, é imoral.

Com certeza, muitos cariocas concordam com Veronese, o que não é meu caso. Acredito que tenha que viver numa bolha para duvidar da importância do funk na identidade cultural carioca. O Rio é variado, mas deve ser um só. Os governos ignoraram durante muitos anos uma grande parte dos próprios cidadãos e consequentemente, a cultura deles. O Rio está tentando recuperar o tempo perdido, entrando nas comunidades, reconhecendo suas particularidades. O estado já proibiu um tipo de funk. Agora ele tem a obrigação de apoiar os demais.

A cultura musical francesa não foi criada só pelo Gainsbourg e a Piaff, também participaram os grupos de rap de periferia como NTM ou IAM. O cenário artístico estadunidense foi desenhado por várias correntes, de Bob Dylan a Lady Gaga, passando por Tupac e Kanye West. A identidade cultural carioca é múltipla, resta reconhecê-la. A cultura não pertence à elite e o bom gosto é subjetivo. Democratizar a cultura não significa só levar literatura clássica para favelas, também subentende aceitar o popular. Chega de desprezo!

Nesta próxima quarta, terá um encontro com o jornalista Sílvio Essinger, autor do livro « Batidão – Uma História do Funk”, no Oi Futuro Ipanema, as 19h. Vamos? Monsieur Veronese, acceptez-vous mon invitation?

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Recomendo este documentário. Para tentar entender melhor, conhecer o outro, sair da verdadeira ignorância:
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Fonte:http://meurio.wordpress.com/2011/08/22/identidade-cultural-carioca-em-busca-de-auto-aceitacao/